quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Novos ventos de leste

Desde a desintegração das velhas União Soviética e Jugoslávia os ventos de leste têm soprado e tomado direcções diferentes, é o reflexo dos primeiros sinais de vitalidade e liberdade de países que viveram durante muito tempo numa prisão que afectava quase toda a ordem social.

O futebol como fenómeno envolvente e condicionado por um enorme leque de factores tem mostrado também sinais de mudança, nos últimos anos sem darmos muito bem conta várias equipas de leste têm marcado posição no futebol europeu, quase sempre como surpresas e equipas-sensação de grandes provas como a Liga dos Campeões e a Taça UEFA (agora chamada Liga Europa).

É um fenómeno que me interessa bastante e que tem sido pouco abordado mas que levanta várias questões. Basta pensarmos na agora extinta Taça UEFA, nós últimos cinco anos de existencia da prova, os vencedores foram, CSKA Moscovo (Rússia) – 2004/2005, Sevilla (Espanha) – 2005/2006, Sevilla (Espanha) – 2006/2007, Zenit (Rússia) – 2007/2008 e Shakhtar Donestk (Ucrânia) – 2008/2009. Em cinco anos, três dos vencedores são clubes de leste, serão só coincidências?

Quanto a mim, não. Para além destes factos temos ainda outras equipas com boas prestações na Liga dos Campeões e a fortíssima selecção russa do último Europeu realizado na Áustria e Suíça. Mesmo com algumas reminiscências do colectivismo de leste mas agora muito mais soltas e capazes do ponto de vista individual as equipas russas, ucranianas, romenas, etc., têm trabalhado muito bem e superado muitas expectativas. Apoiadas por enormes fortunas de rublos provenientes de milionários normalmente das indústrias de petróleo e gás natural (é importante lembrar que a Rússia tem reaparecido como potencia mundial nesta área), muito capazes na prospecção, nomeadamente no mercado sul-americano e ainda fortes em termos organizativos, estas equipas têm atraído treinadores, jogadores e muita atenção que tem tido resultados práticos.

Pela capacidade monetária, cultura organizativa e capacidade de trabalho característica desta zona do globo, assim como as condições climatéricas que dificultam imenso a vida a outros clubes nas deslocações a estas equipas penso que esta força de leste vai perdurar, mas para além disto é importante realçar um ponto importante, com esta evolução nasceu também um pólo, a meu ver, extremamente atractivo para o mercado europeu mais ocidental, já que mesmo com as saídas de alguns jogadores como Andrey Arshavin ainda há muitos outros com potencial e qualidade para reforçar as equipas de topo nos grandes campeonatos, nomes como Dzagoev (CSKA Moscovo – Rússia), Danny (Zenit – Rússia), Alejandro Domínguez (Rubin Kazan – Rússia), Cristian Ansaldi (Rubin Kazan – Rússia), Alex (Spartak Moscovo – Rússia), Daniel Carvalho (CSKA Moscovo – Rússia), Igor Akinfeev (CSKA Moscovo – Rússia), Srna (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Willian (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Jadson (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Fernandinho (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Rat (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Ilsinho (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Milevskyi (Dinamo Kiev – Ucrânia), Yarmolenko (Dinamo Kiev – Ucrânia) e Kravchenko (Dinamo Kiev – Ucrânia) mostram jogadores muito acima da média e que bem analisados poderiam ser excelentes apostas, é necessário no entanto as equipas estarem atentas e tentarem conseguir bons negócios.

Acho que é importante nós também estarmos atentos e apreciarmos muito do talento que tem derretido o gelo das ruas de leste, estes novos ventos trazem futebol e bom futebol, de futuro tentarei trazer ao pormenores alguns dos jogadores e das equipas que falei.


Assinado
Dário Pinto

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Livro "O desenvolvimento do jogar, segundo a Periodização Táctica"

Vou tentar dar mais dinâmica a uma secção do blog que está quase parada mas que penso ser do interesse de todos, partilhando algumas sugestões de livros para todos aqueles que gostam de ir aprofundando os seus conhecimentos.


O "O desenvolvimento do jogar, segundo a Periodização Táctica" é uma adaptação da monografia de uma ex-aluna, da FADE-UP, Marisa Gomes a livro. A escritora é uma das maiores seguidoras da Periodização Táctica criada e aprofundada pelo Prof. Vítor Frade na Universidade do Porto sendo este livro uma base muito interessante para entender esta forma de "jogar". A monografia que lhe deu origem tinha como título "Do Pé como Técnica ao Pensamento Técnico do Pé dentro da Caixa Preta da Periodização Táctica" e obteve 19 valores.

Abordando quase todas as vertentes do "jogar" o livro está sustentado numa entrevista da escritora ao Prof. José Guilherme, ex-treinador das camadas jovens do FC Porto e actual treinador-adjunto da Selecção Nacional, visa conhecer/explicar as ideias, intenções e portanto, o modo como se pretende jogar segundo esta forma de pensar o jogo

É desta forma um livro para todos os que procuram uma nova forma de entender o jogo, e uma boa base para quem quer aprofundar os seus conhecimentos nesta forma de pensar. São ainda assim opiniões que podem ser refutadas e mesmo contestadas.
Aconselho a todos.


Onde podem adquiri-lo
O livro esteve á venda nas lojas Fnac embora hoje em dia seja difícil encontra-lo. Como tal o melhor será adquiri-lo na livraria da própria FADE-UP (para quem for do Porto ou arredores) ou então pela internet através do site: http://www.wook.pt/


Assinado
Dário Pinto

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Robert Enke, para recordar



Robert Enke
24/08/1977 - 10/11/2009
"Quando não há razão nem lógica, impera o silêncio"



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Dário Pinto

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Uma obra-prima de "Ibracadabra"




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Dário Pinto

domingo, 1 de Novembro de 2009

De novo Aveiro, infelizmente estava certo

A propósito do artigo sobre o Beira-Mar e que tentava chamar a atenção para o futebol na cidade de Aveiro chegou-nos este video, exprime muito daquilo que quis mostrar mas pelo ponto de vista de alguém que conhece melhor esta realidade, espero que esta divulgação seja mais do que um simples artigo e que de qualquer forma mude algumas mentalidades.




Assinado
Dário Pinto

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Rivaldo, futebolista filho da fome

O corpo magro e cansado da criança corre pelo campo fora chutando a bola, enquanto se liberta da prisão mental em que vive, uma infância corrompida pela miséria e pela infelicidade, e onde a palavra esperança mora dentro das quatro linhas. O pequeno rapaz cresceu e hoje o mundo do futebol conhece-o como Rivaldo, porém antes de encantar a Catalunha, Milão e o Mundo, Rivaldo jogou a mais difícil de todas as partidas, a vida de um menino a quem viriam a chamar futebolista filho da fome.

Lembro-me de Rivaldo quando penso na importância da personalidade na construção de cada homem e penso também numa palavra para mim essencial para o sucesso de qualquer jogador.
Rivaldo nasceu em Paulista, no interior de Pernambuco e com pouco mais de dez anos passava os seus dias a tentar sobreviver, vagueando horas pelas praias de Recife vendendo doces e bebidas, resistindo à miséria e ajudando a mãe e as quatro irmãs com que morava num pobre casebre. Fustigado pelo azar da morte do pai, atropelado por um autocarro, Rivaldo refugiava-se nos campos do Santa Cruz, onde treinava, fazendo 20km a pé para cada treino, tudo pelo sonho de ser jogador de futebol e correr para longe da pobreza como corria atrás da pequena bola.

Felizmente o menino cresceu e o seu talento cresceu com ele e mostrou-se ao mundo, depois de brilhar no Brasil rumou a Espanha onde deslumbrou a Europa do futebol, entre Depor e Barça maravilhou tudo e todos antes de rumar a Itália para o colosso AC Milan, depois de Milão voltou ao seu Brasil durante uma época para depois viajar para a Grécia, para espalhar o seu talento, país acostumado a glorificar os seus heróis e agora Rivaldo é sem dúvida um deles. Neste momento está no Uzbequistão, treinado por Scolari, com um contrato milionário. Tudo isto acompanhado de muitos títulos e de um percurso notável na selecção brasileira.

Rivaldo foi e é um jogador notável, magia pura, num pé esquerdo capaz de levantar qualquer estádio, uma carreira marcada pelo sucesso, pela glória mas sem nunca perder da memória as suas raízes e o seu trajecto, segundo o próprio ainda conta os seus golos ao retrato do pai que guarda religiosamente, porque tudo em Rivaldo é assim, das praias de Recife para qualquer estádio do mundo, o menino magro que se fez homem, trabalhou para o seu sucesso e sorri com a sua dentadura postiça, colocada porque em pequeno todos os dentes lhe caíram, após cada golo e cada momento de magia.

Apesar de todo o talento, Rivaldo é a imagem do trabalho, da dedicação, da esperança e sobretudo da Humildade, a tão importante palavra que referi no inicio do texto, essa humildade e uma personalidade forte é crucial para a construção de cada Homem em geral e de cada futebolista em particular. Em dias de fama e sucesso, e onde tudo é passageiro, a verdadeira história só se faz a longo prazo, pois são essas as memórias que perduram, tal como Rivaldo, um menino que conquistou o mundo.



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Dário Pinto

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Nélson Oliveira, o futuro camisola 9

Entre um fim de semana cheio de futebol, com clássicos sul-americanos, grandes jogos na Premier League, o Barcelona do costume e um Benfica novamente fantástico encontrei esta preciosidade.

Trata-se de um jogo do Campeonato Nacional de Juniores entre o Benfica e o Alverca com os encarnados a golearem por 7-0, mas o destaque vai para o avançado do Benfica, Nélson Oliveira que fez um hat-trick e deixou mais uma vez prova da sua enorme qualidade, o jovem que já foi por diversas vezes chamado à equipa principal conta já com 15 golos em 9 jogos e tem sido uma das figuras da equipa encarnada. Com esta evolução e potencial reconhecido aliado ao facto de em Portugal escassearem grandes matadores, o jovem natural de Barcelos poderá ser um dos nossos valores no futuro, para já resta ir seguindo os seus jogos e golos na esperança que estes tenham continuidade nos nossos relvados.

Vejam todos com atenção o último golo, o 7-0. Incrível!




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Dário Pinto

domingo, 25 de Outubro de 2009

Viagem a Aveiro, reflexos de uma cidade

(Texto recuperado do projecto Olheiro.net, escrito ano passado, mas que continua bem actual depois de novo jogo em Aveiro.)

Viajo rumo a Aveiro… enquanto a longa e negra estrada desliza por debaixo do carro, penso e divago, como habitualmente, no nosso futebol. Entre a agitação desta época vários momentos me passam pela cabeça, é aí que quase a chegar ao meu destino algo me capta a atenção, quase “isolado” aparece o novo e colorido Estádio Municipal de Aveiro, é, sem dúvida alguma, um estádio vistoso e que capta a atenção, poderia até ser uma imagem do nosso futebol, um monumento ao futebol moderno, a novas ideias, metodologias, em suma a uma nova vida, mas ao velo sinto algo de errado e sem saber bem o quê sigo viagem.

O destino levava-me até aos arredores de Aveiro, para ver um Beira-Mar vs FC Porto em Juvenis, mas antes passei no “velhinho” Mário Duarte, a imagem de um estádio com marcas visíveis do tempo mas com uma vida diferente, muito diferente do primeiro estádio mencionado nesta breve história, levou-me a compreender um pouco do errado de que falei anteriormente…

Mais tarde, já no meu local de destino e após estacionar o carro peço informações a um adepto aveirense sobre a partida, com o decorrer da conversa, a amargura e tristeza brotam das palavras do “velho” triste, que por muita pena minha, é a imagem duma cidade que perdeu o gosto pelo futebol. Frases soltas, vindas de tempo a tempo, como alguém que sentia necessidade de se justificar perante um desconhecido, afirmações como “já lá vai o tempo em que dava gosto ver a primeira equipa” ou “o Mário Duarte ao menos estava sempre bem composto, agora neste estamos praí 200 ou 300 pessoas…”, caracterizam o sentimento de muitos por aquelas bandas.

Na viagem para cá, pensei bastante no que vi, e passando a segunda vez pelo Municipal de Aveiro percebi um pouco do sentimento negativo que marca o futebol aveirense. Por incrível que pareça o novo estádio não transportou a sua cor para o clube de cidade, talvez um pouco do problema resida nisso mesmo, ali os verdadeiros adeptos do Beira-Mar não se sentem em casa, as suas cores são o amarelo e preto e não o conjunto de cores coloridas do novo estádio.

Depois de 2004, ano do Euro, o Beira-Mar foi caindo, está agora na segunda linha do nosso futebol, o desempenho desportivo é acompanhado pelo decréscimo de apoio e vida que os seus adeptos dão ao clube. Tudo isto mostra que o nosso Futebol é mais que um desporto, é uma forma de vida, cada clube tem a sua identidade e só assim sobrevive, para futuro é bom que se pense nisto, farto está quem gosta de futebol de ver cair clubes importantes como Campomariorense, Farense, Salgueiros, Alverca.


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Dário Pinto

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Para pensar

Numa entrevista à estação de televisão RTL, Didier Drogba, internacional costa-marfinense que representa o Chelsea falou um pouco sobre José Mourinho, seu ex-treinador. Já todos sabemos que existe uma relação muito forte entre o poderoso avançado e o treinador português e que este por várias vezes Drogba já o afirmou em público, demonstrando até o interesse em seguir Mourinho, no entanto estas declarações mostram um pouco da influência que o actual técnico do Inter pode ter nos seus pupilos.

Drogba afirmou que «Mourinho é um treinador muito forte fisicamente, mas é sobretudo bom do ponto de vista psicológico. Ele sabe como chegar aos jogadores» e continua dizendo que o treinador se destaca dos demais porque "diz-nos na cara quando jogamos mal. No entanto, também é capaz de dizer na partida a seguir: 'para mim foste o homem do jogo’. Amo-o porque me fez crescer como jogador. Estava pronto para partir as minhas pernas por ele.».

São declarações fortes, que chamam a atenção mas são sobretudo prova de uma interacção muito especial entre Mourinho e quem o rodeia, é bom lembrar que a qualidade e o sucesso não chegam por acaso e que Drogba não é o primeiro a salientar este aspecto.

Mas lendo as suas declarações não posso deixar de salientar que as que me deixam mais curioso são quando o avançado destaca um pequeno pormenor da gestão do trabalho feito por Mourinho, Didier Drogba diz que: «Lembro-me de algumas vezes lhe ter perguntado: ‘Porquê que vou ter dois dias de folga quando vamos ter um jogo muito próximo?’ e ele respondia que a minha necessidade de repouso era sobretudo psicológica. No futebol, a componente mental representa 90 por cento. E os jogadores estão sempre do lado dele. Ele dá-nos tudo. Ele dizia: 'Façam o que quiserem, comigo podem fazer o que quiserem, mas no campo têm de me dar tudo. Não me podem trair. Eu dou-vos tudo, mas dentro do campo têm de corresponder.»

Ao contrário do que muitos pensam, o desgaste psico-emocional é muito importante quando pensamos na recuperação dos jogadores, para além da componente física este factor condiciona muito o rendimento quer em treino, quer em jogo de toda a equipa, Drogba realça que Mourinho dá enorme importância a este aspecto e percebe-se facilmente que os jogadores compreendendo esta dinâmica percebem qual a melhor forma de se trabalhar. É realmente pena que ainda muita gente despreze a evolução e a análise, sem isto o nosso futebol não evoluirá.

Espero que esta pequena reflexão deixe pelo menos alguém atento a estes pormenores, para quem quiser saber mais aconselho que leiam o livro "O desenvolvimento do jogar, segundo a Periodização Táctica" da Marisa Gomes, que irei dar especial atenção no futuro e que para além deste tema desenvolve vários outros sob um ponto de vista muito interessante.


Assinado
Dário Pinto

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

"Crónicas de um treinador" - A evolução através de uma co relação autohetero

O trabalho não pára.
Temos sentido melhorias significativas a todos os níveis: os jogadores estão mais identificados com o jogar que pretendemos, estão a reagir melhor ao aumento da complexidade dos exercícios e sobretudo estamos a assistir a uma evolução significativa no processo de decisão. Já não é um jogo com a vertigem pela “aceleração” a todo o custo, mas sim um jogo mais paciente, mais pausado, mais seguro, mas certamente com mais qualidade.

Contudo e após uma auto-avaliação constante ao nosso trabalho (equipa técnica), consideramos que faltava um “teste de fogo” a este equipa.
Um adversário capaz de nos colocar grandes dificuldades através de um maior poderio físico, através de uma maior agressividade.
No fundo queriamos um adversário que nos condicione bastante e que nos obrigue a utilizar a inteligência e a paciência na circulação de bola para sermos capazes de nos bater taco a taco.
A solução foi óbvia: enfrentar os Iniciados do nosso Clube.
Era um teste difícil mas sobretudo muito útil para testar a “força mental” desta equipa.

Se é verdade que perdemos o jogo (3 golos sofridos de bola parada), a excelente imagem que deixamos e a qualidade na nossa circulação de bola foram mais do que evidentes.
Os jogadores, quiça motivados por jogarem contra os mais velhos, tiveram uma atitude guerreira e hiper concentrada, procuraram ter bola, joga-la de pé para pé, através do passe curto e com muita paciência.
Um envolvimento colectivo que inclusive, e tal como temos pedido, incluiu também o guarda-redes como mais um elemento essencial para garantir uma posse de bola de qualidade.
É caso para dizer que perdemos o jogo mas ganhamos uma equipa!

Seguia-se a apresentação oficial da equipa aos associados.
Quisemos fazer-lhes uma surpresa. Dar um colorido diferente, faze-los (sobretudo aos mais novos) sentir o carinho e apoio dos encarregados de educação e adeptos e ter um cheirinho daquilo que vêm no futebol profissional.
Assim, permitimos que cada um dos atletas entrasse no relvado após ouvir o seu nome através do sistema sonoro do Clube para uma grande salva de palmas e posteriormente para tirar fotografias, pelos vários “paparazzi” de serviço.
Foi sem dúvida uma experiência gira e que contribuiu para um maior sentimento de união e de afecto entre todos: dirigentes, treinadores, atletas e encarregados de educação.
O jogo opunha-nos a uma equipa agressiva, marcadamente defensiva e que disputa uma divisão inferior.
Não tivemos dificuldades para vencer o jogo, 4-1, mas algumas situações não me agradaram. Senti da parte de alguns atletas a necessidade de serem protagonistas, nem que para tal tivessem que adulterar o nosso jogo colectivo, senti também algum “ciúme” por este estar a dar nas vistas e o outro não.
Enfim, indicadores negativos para um balneário que se pretende unido e que prejudicaram a prestação da equipa.
Terá sido da apresentação? Não sei, mas vimo-nos na necessidade de tomar medidas.

Assim, no treino imediatamente após a apresentação da equipa, tivemos uma longa conversa, franca e olhos nos olhos.
O motivo: o pensar no nós, o trabalhar para o colectivo de forma a que cada individualidade possa sobressair com mais facilidade. Foram dados exemplos, foram ditas coisas importantes e foram tomadas algumas medidas entre as quais: os golos seriam festejados no banco de suplentes e por todos os jogadores pois no fundo seria a celebração de uma conquista colectiva.
Para fazermos um golo temos que contar com as defesas do nosso guarda-redes, a intervenção dos nossos defesas, os passes dos nossos médios e a frieza dos nossos avançados. O golo teria de ser visto, no fundo, como um objectivo colectivo conquistado para o qual todos contribuiram e como tal seria festejado em grupo e por todos.

As palavras foram bem recebidas e senti que os jogadores perceberam a mensagem e o porqué da mensagem, sinal que já têm maturidade para assumir quando erram e quando não estão a pensar no grupo.


Uma semana para o início da competição
Na semana que antecedeu o início da competição optamos por um trabalho, não só ma também, focalizado em situações que ainda não estavam “solidificadas”, as transições.
Foi um trabalho paciente mas com máximo rigor, pois sabiamos que ainda apresentavamos debilidades nesses momentos, algo natural na fase de crescimento de uma equipa.

Mas desenganem-se se julgam que o nosso processo de treino se centra “obsecadamente” naquilo que para muitos pode ser considerado puramente e “isoladamente” táctico.
No nosso processo de treino procuramos uma dinâmica evolutiva que permita fazer evoluir o jogador (a parte) mas também no sentido de permitir evoluir o todo(o jogar da equipa), evolução essa consubstanciada na evolução da relação das partes (dos jogadores).
Parece teoria mas não é.
De facto não vemos os factores de rendimento de forma dissociada. E por outro lado encaramos o treino (até pq falamos de um escalão de iniciação) como o meio para fazer evoluir o invididual através da evolução do colectivo.
Ou seja a potenciação de cada um dos nossos atletas integrada numa evolução do nosso colectivo, do nosso jogar.


Para complementar a preparação do primeiro jogo oficial, a cereja no topo do bolo:
Surpreendemos os nossos atletas com a visita de um jogador profissonal de futebol, que conta com presenças nas Selecções Nacionais mais jovens e B e ainda com um título de campeão nacional como sénior.
Foi uma excelente surpresa para eles e a possibilidade de termos um rosto mais conhecido a falar da importância da Escola, das dificuldades que viveu para chegar a profissional, da confiança que precisou para dar a volta aos momentos menos bons, da importância de se servir o colectivo, pois só com um colectivo forte será mais fácil sobressair cada individualidade, na importância de ter a humildade de dar um passo a trás para depois dar dois á frente.
Enfim, uma conversa não muito extensa, mas rica e feita de uma forma intimista muito agradável!

Sinto que estamos prontos para a competição!


Assinado
"O treinador"
 
Geração Futebol